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	<title>Beatriz Pina, autor em My Diabetes</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica endocrinologista e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças metabólicas</description>
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	<title>Beatriz Pina, autor em My Diabetes</title>
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		<title>MASH: da doença silenciosa à nova era terapêutica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 15:22:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) permanece subdiagnosticada, apesar do seu enorme impacto na saúde hepática e cardiovascular, sendo importantíssimo que o seu rastreio seja sistemático e que o seu tratamento passe a integrar a abordagem da síndrome cardiometabólica. Esta foi a principal mensagem do simpósio promovido pela Novo Nordisk, “From Recognition to Resolution: [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) permanece subdiagnosticada, apesar do seu enorme impacto na saúde hepática e cardiovascular, sendo importantíssimo que o seu rastreio seja sistemático e que o seu tratamento passe a integrar a abordagem da síndrome cardiometabólica. Esta foi a principal mensagem do simpósio promovido pela Novo Nordisk, “From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care”, inserido no Congresso Português de Endocrinologia 2026, que decorreu no final de janeiro em Coimbra. Participaram na sessão moderada por <strong>Paula Freitas</strong>, presidente da SPEDM, a endocrinologista <strong>Cynthia Valério</strong>, e o internista com subespecialidade em Doenças do Fígado, <strong>Filipe Nery</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua intervenção, <strong>Cynthia Valério</strong> deixou um alerta inequívoco sobre a esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH), sublinhando que esta doença “silenciosa” continua frequentemente a ser identificada apenas em fases avançadas, quando a cirrose já se instalou. “Se encontramos doentes com esteatose já com cirrose é porque todos nós falhámos, em algum momento, na sua assistência”, afirmou, chamando a atenção para a necessidade de encarar a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica &#8220;MASLD/MASH&#8221; como parte integrante da prática clínica diária, e não como um achado incidental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A especialista, presidente-eleita da ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica e membro do Departamento de Obesidade da SBEM &#8211; Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, enfatizou que os profissionais de saúde têm a responsabilidade de procurar ativamente sinais de doença hepática nos doentes com síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2, sob pena de se perder a janela de oportunidade para intervir precocemente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um caso clínico apresentado pela endocrinologista ilustra o peso da inércia terapêutica e da falta de monitorização hepática: o de uma mulher de 51 anos, pós-menopáusica, com obesidade classe 1, síndrome de ovário poliquístico, hipertensão arterial e dislipidemia, que recorreu inicialmente à consulta por desejo de perder peso, e que já tinha alterações das enzimas hepáticas. “Ela veio à consulta porque desejava tratar o aumento de peso que teve sobretudo desde a menopausa, há 10 anos, mas na verdade já era notório o aumento das transaminases”, descreveu. Após uma boa resposta inicial ao tratamento com liraglutido, com perda de 15 kg em seis meses, a doente interrompeu o acompanhamento ao fim de 1 ano, dado ter atingido um plateau em termos de perda ponderal. Regressou apenas cinco anos depois já com diabetes tipo 2, doença arterial coronária e cirrose hepática, revelando uma evolução silenciosa mas previsível da MASLD para MASH com fibrose avançada e posteriormente cirrose. &#8211; “A doença hepática desta doente desenvolveu-se lentamente, mas teve uma evolução natural que não pode ser ignorada.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cynthia Valério destacou que diversos autores consideram MASH a manifestação hepática da síndrome metabólica, reforçando o conceito de síndrome cardiorrenalmetabólica, no qual o fígado surge também como um protagonista central. “Alguns autores olham para MASH como a manifestação hepática da síndrome metabólica, e isso deve mudar a forma como devemos olhar para estes doentes”, explicou, lembrando que os mesmos carregam múltiplos fatores de risco que se potenciam entre si. Reforçou ainda que estes doentes são altamente prevalentes nas consultas de endocrinologia, e que apresentam um risco cardiovascular substancialmente aumentado, mesmo quando comparados com doentes com obesidade mas sem MASH, sendo que a principal causa de morte em pessoas com esteatose hepática continua a ser a doença cardiovascular. “Se eu sei de conhecimento de causa e da literatura que esses doentes têm maior risco cardiovascular, eu tenho obrigação de entendê-los, quando têm MASH e ainda não têm cirrose, como doentes de alto risco”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, Cynthia Valério defendeu que “o rastreio de fibrose é mandatório e deve ser habitual no consultório”, à semelhança do que é feito no rastreio de doença renal crónica em doentes com diabetes, por exemplo. A especialista referiu que scores como o FIB-4 e métodos de imagem como a elastografia transitória (FibroScan®) estão presentes nas principais guidelines internacionais e permitem identificar os doentes que necessitam de encaminhamento especializado ou de intervenção mais intensiva. Ao mesmo tempo, alertou para o risco de uma falsa sensação de segurança quando apenas se olha para as transaminases. “Infelizmente, ainda encontramos muitos doentes com cirrose. É por isso que é tão importante o nosso conhecimento acerca deste tema”, frisou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rastreio: existe um “desfasamento entre a evidência e o quotidiano clínico”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua comunicação, <strong>Filipe Nery</strong> reforçou a ideia de que a MASLD continua a ser uma doença subvalorizada, apesar de a esteatose hepática afetar cerca de um terço da população mundial. “Estamos a falar de uma doença claramente negligenciada pela comunidade médica em geral, e pelos endocrinologistas em particular”, afirmou, salientando que a MASLD existe se “mais de 5% dos hepatócitos estão acometidos por infiltração adiposa, e a esteatose simples é, por si só, um fator de risco independente para doença cardiovascular, tal como a obesidade ou a dislipidemia”. Embora apenas 5-6% da população desenvolva MASH com fibrose associada, é precisamente esta progressão que determina o impacto clínico mais relevante. “À medida que o grau de fibrose aumenta, incrementa-se o risco não só de carcinoma hepatocelular, mas também de doença cardiovascular e de tumores extra-hepáticos, o que se traduz num aumento claro da morbilidade e mortalidade destes doentes”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações conjuntas da EASL, EASO e EASD defendem há vários anos o rastreio sistemático de doença hepática em doentes com diabetes, obesidade, síndrome metabólica ou alterações persistentes das provas hepáticas, mas a adesão na prática continua aquém do desejável. “Estas recomendações já existiam em 2016, e a pergunta mantém-se: quantos de nós avaliam, de forma sistemática, a saúde do fígado dos nossos doentes?”, questionou o especialista, apontando o desfasamento entre a evidência e o quotidiano clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o orador, meta-análises que envolveram cerca de dois milhões de doentes demonstram que “aproximadamente dois terços dos doentes com diabetes têm doença hepática esteatótica, mais de um terço apresenta MASH e um número significativo tem fibrose clinicamente relevante”, realçou o internista. Além disso, observou, citando um estudo francês multicêntrico de 2023 [Castera L. et al., Diabetes Care 2023], que já percebemos “de forma particularmente preocupante”, que “38% dos doentes com diabetes e transaminases normais tinham, ainda assim, fibrose avançada”, evidenciando a limitação de confiar apenas em exames laboratoriais de rotina para excluir doença hepática significativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente às ferramentas de rastreio, Filipe Nery deixou algumas ressalvas sobre o FIB-4. “O FIB-4 está recomendado, mas ainda assim subdiagnostica os doentes com diabetes e obesidade”, afirmou, acrescentando que “mais de um terço dos doentes diabéticos com fibrose avançada pode ter um FIB-4 inferior a 1,3”. A limitação etária do score — validado apenas até aos 65 anos — também contribui para esse problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na sua experiência clínica real, o especialista defendeu que “a elastografia por FibroScan® é, hoje, o método mais reprodutível e fiável para o rastreio e estratificação do risco”, permitindo orientar precocemente os doentes e iniciar estratégias terapêuticas adequadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Semaglutido na MASH é um “game changer”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste cenário de elevada prevalência, subdiagnóstico e evolução silenciosa que emergem novas perspetivas terapêuticas capazes de alterar o curso da MASH com fibrose. O ensaio de fase 3 ESSENCE foi apresentado pelo internista como um verdadeiro “game changer”, ao demonstrar, “pela primeira vez, que um análogo de GLP-1, o semaglutido, é capaz não só de reduzir a inflamação hepática, mas também de induzir regressão da fibrose em doentes com MASH e fibrose F2–F3”. “Até agora, tínhamos fármacos que melhoravam a inflamação, mas não a fibrose. Com o ESSENCE temos, finalmente, um verdadeiro game changer”, reforçou Filipe Nery, destacando que o estudo, que inclui cerca de 1200 doentes, “demonstrou regressão da fibrose em pelo menos um ponto em apenas 72 semanas”. “E a este efeito adicionam-se os já conhecidos benefícios cardiovasculares, renais, e de perda de peso que semaglutido já demonstrou”, lembrou. O especialista explicou ainda que este impacto em MASH deriva de “um efeito direto da molécula, com <em>downregulation</em> de genes envolvidos na fibrose hepática, nomeadamente ao nível das células estreladas”, além dos efeitos metabólicos e pleiotrópicos do semaglutido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados apresentados pelo palestrante, com base na sua prática clínica, reforçam este perfil, mostrando reduções significativas do peso, da hemoglobina glicada e das enzimas hepáticas, com melhoria metabólica que não depende exclusivamente da magnitude da perda ponderal sob semaglutido. “O semaglutido é, até à data, o único análogo de GLP-1 capaz de melhorar de forma robusta a inflamação e a fibrose hepática, e comprova-se na vida real que o seu efeito não é apenas dependente da redução do peso”, concluiu.</p>
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		<title>&#8220;Ninguém melhor do que os endocrinologistas para fazerem o rastreio, o diagnóstico e o tratamento da MASH”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 15:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os endocrinologistas estão numa posição privilegiada para diagnosticar e tratar a esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH), dada a elevada prevalência desta condição em doentes com diabetes e obesidade, defendeu Paula Freitas, especialista em Endocrinologia na ULS São João, no rescaldo do simpósio &#8220;From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care&#8221;, promovido pela Novo [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Os endocrinologistas estão numa posição privilegiada para diagnosticar e tratar a esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH), dada a elevada prevalência desta condição em doentes com diabetes e obesidade, defendeu <strong>Paula Freitas</strong>, especialista em Endocrinologia na ULS São João, no rescaldo do simpósio &#8220;From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care&#8221;, promovido pela Novo Nordisk no âmbito do Congresso Português de Endocrinologia 2026. Veja a entrevista em vídeo.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1161382507?h=ff7bb4cab7&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="PAULA FREITAS"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">Questionada sobre o papel dos endocrinologistas no diagnóstico e tratamento de MASH, Paula Freitas foi clara: &#8220;Os endocrinologistas têm um papel fundamental e por várias razões. Uma delas é que os endocrinologistas há muitos anos que sabem lidar com a obesidade e com a diabetes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presidente da SPEDM sublinhou a forte ligação entre estas patologias: &#8220;Ora, a MASH é muito prevalente nestas duas populações – que às vezes até são a mesma. Ou seja, têm obesidade e têm também já outras doenças.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paula Freitas destacou ainda que os endocrinologistas já seguem a população de risco, reforçando que “nós, endocrinologistas, temos um papel fundamental porque temos os doentes que têm as duas doenças, têm obesidade e têm diabetes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A especialista apontou três áreas essenciais de intervenção: &#8220;E agora o que temos de aprender? Temos que pôr na nossa cabeça que precisamos de fazer o rastreio da MASH, de fazer o diagnóstico – e temos as ferramentas para o diagnóstico – e tratar esta entidade.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos mais enfatizados por Paula Freitas foi a familiaridade dos endocrinologistas com as opções terapêuticas disponíveis. &#8220;Nós temos tratamento e é um tratamento que nós já usávamos há muito tempo, quer para a diabetes quer para a obesidade&#8221;, realçou. Logo, esta experiência clínica prévia constitui uma vantagem decisiva: &#8220;Ou seja, nós sabemos manusear este tratamento, por isso ninguém melhor do que os endocrinologistas para fazerem o rastreio, o diagnóstico e o tratamento da MASH nestes doentes com obesidade e com diabetes&#8221;, concluiu a presidente da SPEDM.</p>
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		<item>
		<title>Agonista do receptor de GLP-1 redefine abordagem à MASH e à fibrose hepática</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/sem-categoria/agonista-do-receptor-de-glp-1-redefine-abordagem-a-mash-e-a-fibrose-hepatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 15:22:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tratamento da esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) entrou numa nova fase com a introdução de um fármaco que, nas palavras do internista e subespecialista em Doenças do Fígado, Filipe Nery, “foi, de facto, um game changer”. A afirmação foi feita durante o simpósio da Novo Nordisk, subordinado ao tema “From Recognition to Resolution: [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O tratamento da esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) entrou numa nova fase com a introdução de um fármaco que, nas palavras do internista e subespecialista em Doenças do Fígado, <strong>Filipe Nery</strong>, “foi, de facto, um game changer”. A afirmação foi feita durante o simpósio da Novo Nordisk, subordinado ao tema “From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care”, realizado no âmbito do Congresso Português de Endocrinologia 2026. Assista à entrevista.</p>


<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1160506031?h=b94008489b&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="Agonista do receptor de GLP-1 redefine abordagem à MASH e à fibrose hepática"></iframe></div>
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<p class="wp-block-paragraph">O também professor universitário no ICBAS-UP sublinhou que o semaglutido “modificou muito a nossa conduta no tratamento dos doentes com doença hepática esteatótica, com infiltração de gordura no fígado, com fibrose moderada a avançada”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o palestrante, uma vez iniciado o tratamento, o seguimento do doente assume um papel central. “A monitorização será também para avaliar os efeitos laterais associados ao fármaco, como é evidente”, referiu, acrescentando que, de acordo com os dados do estudo ESSENCE já disponíveis, estes efeitos “são muito semelhantes entre quem está a fazer o fármaco e quem está no grupo placebo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além da segurança, o foco está também na resposta hepática e metabólica. E nesse campo, Filipe Nery defendeu uma abordagem estruturada, assente numa “avaliação sistemática cada vez que o doente vem à consulta”. Essa avaliação inclui “um perfil analítico bioquímico hepático, com transaminases, gama-GT, fosfatase alcalina”, bem como “marcadores metabólicos, perfil lipídico e hemoglobina glicada”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos centrais da sua intervenção foi a importância da fibrose hepática como determinante de prognóstico. De acordo com o especialista, a avaliação do grau de fibrose “deverá ser realizada normalmente um ano após o início da terapêutica”, permitindo “estabelecer a correlação entre o efeito da medicação, a melhoria do perfil analítico hepático e, sobretudo, a melhoria do grau de fibrose”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta melhoria é decisiva, uma vez que, como frisou, “é isso que vai depois acabar por impactar na saúde do fígado do doente”. Mas o impacto vai além do fígado. “Sabemos que quanto maior for o grau de fibrose, maior a probabilidade de virem a ter também eventos extra-hepáticos”, alertou, referindo um risco acrescido de “maior mortalidade, morbimortalidade, carga metabólica, tumores, etc.”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A possibilidade de reversão da fibrose com semaglutido levanta questões fundamentais sobre o impacto clínico a longo prazo. “Havendo reversão no grau de fibrose, como semaglutido comprovou conseguir, importa perceber o impacto que isso vai ter em termos de outcomes finais”, afirmou apontando para a potencial “diminuição da morbimortalidade e melhoria da qualidade de vida” dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, esse conhecimento ainda está em construção. “Esse conhecimento ser-nos-á dado provavelmente daqui a dois anos”, explicou, quando estiver concluída “a segunda parte do estudo ESSENCE, pois são esses os objetivos finais do trabalho”.</p>
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		<title>“Ensaio ESSENCE aproxima evidência científica da realidade do consultório”</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/entrevistas/ensaio-essence-aproxima-evidencia-cientifica-da-realidade-do-consultorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 15:22:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os dados do ensaio ESSENCE assumem um papel particularmente relevante na prática clínica diária, ao refletirem com grande fidelidade o perfil real dos doentes tratados em consulta. A ideia foi sublinhada pela endocrinologista brasileira Cynthia Valério num balanço feito do simpósio da Novo Nordisk, “From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care”, integrado no [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Os dados do ensaio ESSENCE assumem um papel particularmente relevante na prática clínica diária, ao refletirem com grande fidelidade o perfil real dos doentes tratados em consulta. A ideia foi sublinhada pela endocrinologista brasileira <strong>Cynthia Valério</strong> num balanço feito do simpósio da Novo Nordisk, “From Recognition to Resolution: The ESSENCE of MASH Care”, integrado no Congresso Português de Endocrinologia 2026. Veja a entrevista dada à Newsfarma.</p>


<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1160506575?h=ddac88c457&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="“Ensaio ESSENCE aproxima evidência científica da realidade do consultório”"></iframe></div>
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<p class="wp-block-paragraph">Presidente-eleita da ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, a especialista destacou que “os dados do ESSENCE são muito importantes para a prática clínica, porque representam exatamente o doente do dia a dia do consultório”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a palestrante, o ensaio inclui maioritariamente “mulheres com cerca de 50 anos, com alguma alteração metabólica ou diabetes, e com obesidade ou com excesso de peso”, um perfil que espelha de forma clara a população acompanhada pelos endocrinologistas na prática clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Cynthia Valério, a relevância do ESSENCE vai além dos resultados clínicos, tocando num dos principais desafios do tratamento da obesidade: a perceção da doença por parte do doente. “Os dados são muito relevantes porque os doentes muitas vezes resistem ao tratamento da obesidade per se”, afirmou, acrescentando que “não encaram a obesidade como uma doença”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta resistência inicial condiciona frequentemente a adesão terapêutica e a manutenção do tratamento a longo prazo. No entanto, a médica partilhou a sua experiência clínica com o semaglutido, sublinhando que “muitas vezes, quando iniciamos o tratamento com semaglutido e a manutenção na dose de 2,4 mg a longo prazo, o doente alcança o alvo de peso corporal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos aspetos mais destacados pela endocrinologista foi o papel do diagnóstico de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) como fator motivacional para o doente. “O facto de saber que tem a doença hepática avaliada previamente faz com que haja um excelente argumento tanto para iniciar o tratamento quanto para manter no longo prazo”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Cynthia Valério, esta realidade é recorrente na sua prática clínica. “Isso acontece muito no meu dia a dia do consultório”, referiu, sublinhando que o diagnóstico de MASH ajuda o doente a compreender a gravidade da sua condição metabólica e a necessidade de uma abordagem terapêutica sustentada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, os dados do ensaio ESSENCE surgem como um elemento fundamental de suporte à decisão clínica. Para a palestrante, o estudo “constitui um ponto a favor para corroborar a prática clínica”.</p>
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		<title>Tratar obesidade é ganhar saúde: da perda de peso aos outcomes que realmente importam</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/atualidade/tratar-obesidade-e-ganhar-saude-da-perda-de-peso-aos-outcomes-que-realmente-importam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 17:46:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No simpósio da Novo Nordisk, realizado no âmbito do Congresso Português de Endocrinologia 2026, em Coimbra, Megha Poddar e Daniel Macedo defenderam uma mudança estrutural na forma como a obesidade é tratada e avaliada na prática clínica. Da redefinição dos objetivos terapêuticos para além da perda de peso à aplicação da evidência dos ensaios clínicos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No simpósio da Novo Nordisk, realizado no âmbito do Congresso Português de Endocrinologia 2026, em Coimbra, <strong>Megha Poddar</strong> e <strong>Daniel Macedo</strong> defenderam uma mudança estrutural na forma como a obesidade é tratada e avaliada na prática clínica. Da redefinição dos objetivos terapêuticos para além da perda de peso à aplicação da evidência dos ensaios clínicos e do mundo real em decisões individualizadas, os dois especialistas convergiram numa mensagem clara: tratar obesidade é ganhar saúde, com foco nos outcomes que realmente importam para os doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua palestra, durante o simpósio “Translating Evidence into Personalised Obesity Treatment with Semaglutide”, a endocrinologista canadiana Megha Poddar assumiu, desde início, que vinha com uma missão clara: “Os meus dois objetivos são corrigir os dois maiores equívocos que temos hoje no tratamento da obesidade.” O primeiro, disse, é a ideia de que a obesidade “é um problema de estilo de vida”, quando na verdade “é uma condição médica crónica em si mesma”. O segundo equívoco é a crença de que “o tratamento da obesidade se resume à perda de peso”. “Tentarei mudar esta narrativa”, afirmou, sublinhando que “a perda de peso no tratamento da obesidade é simplesmente um indicador indireto do ganho de saúde” e que “o ganho em saúde é o principal objetivo do tratamento da obesidade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a coautora das diretrizes canadianas de obesidade, o conceito clássico baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC) está ultrapassado. “Já ultrapassámos a definição de obesidade como algo relacionado com o tamanho corporal, que é o que o IMC realmente representa”, afirmou. “Mudámos a definição para caracterizar a obesidade pelo excesso e disfunção do tecido adiposo, especificamente aquele que prejudica a saúde.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daí a importância de ir “além do IMC”. Megha Poddar explicou que as novas guidelines canadianas e europeias convergem na valorização de medidas antropométricas como o perímetro da cintura e a relação cintura‑estatura, que “são melhores preditores do risco cardiovascular (CV) e da mortalidade CV do que o IMC isoladamente”. “Se tiver uma relação cintura‑estatura superior a 0,5, isso indica que provavelmente tem tecido adiposo que prejudica a saúde e, de facto, irá cumprir os critérios para a obesidade”, resumiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao abordar os fármacos para a gestão da obesidade, Megha Poddar lembrou que “a obesidade é uma doença centrada no cérebro” e que “o principal sintoma da obesidade é a existência de um apetite disfuncional”. “Provavelmente não é surpresa que a maioria dos medicamentos para a obesidade tenha como alvo o cérebro”, afirmou, distinguindo o orlistato – “não muito eficaz” e sem impacto robusto nas complicações – dos agentes que atuam nos centros de apetite, como é o caso das moléculas incretínicas, como o semaglutido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com estas novas ferramentas, cresce também a responsabilidade de tratar com segurança. “Perder muito peso de uma forma muito rápida pode ser um problema”, alertou. A especialista recordou o risco acrescido de perda acelerada de densidade mineral óssea, colelitíase, queda de cabelo ou enfraquecimento da pele quando a perda é demasiado rápida. “As recomendações para objetivos seguros de perda de peso são de cerca de 250 a 900 gramas por semana ou uma redução de até 5% do peso corporal num mês. Qualquer perda superior a estes parâmetros é excessiva e muito rápida”, defendeu, insistindo na necessidade de “avaliar o estado nutricional” e monitorizar efeitos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando menos quilos não significa mais saúde</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos mais fortes da intervenção foi a dissociação entre perda de peso e benefício clínico. Referindo-se ao estudo SELECT, a endocrinologista sublinhou que a redução de 20% nos eventos CV adversos major com semaglutido ocorreu “independentemente da perda de peso”, quer em doentes que perderam mais de 5% como em doentes que perderam menos de 5% do peso corporal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados do ensaio SURPASS-CVOT, que comparou tirzepatida com dulaglutido em doentes com diabetes tipo 2, vieram reforçar a dissociação entre perda de peso e benefícios cardiovasculares: “Com dulaglutido, a redução média de peso era de cerca de 4,8% e com tirzepatida, era superior a 11%. Uma diferença bastante grande em termos de alteração de peso, mas sem diferença em termos de resultados de MACE”, destacou. E concluiu, mais uma vez: “Perda de peso e mais saúde não é a mesma coisa.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante este cenário, como definir objetivos com os doentes? No Canadá, explicou, fala‑se agora no conceito de “melhor peso”, uma “expressão para dizer que o objetivo é melhorar a saúde de forma sustentável e alinhada com o que o doente realmente deseja &#8211; se precisa de mais mobilidade, de melhorar a saúde metabólica, ou outra.” “E quando essa conversa com o doente não existe, a adesão ao tratamento falha, pois sabemos que não é o peso que importa, mas sim o resultado de saúde que usamos para definir o sucesso”, reforçou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Semaglutido: uma abordagem centrada no doente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua intervenção, Daniel Macedo, endocrinologista no Hospital da Luz Lisboa e responsável pela Clínica Multidisciplinar de Obesidade do Cardiovascular Risk and Thrombosis Center do Hospital da Luz Torres de Lisboa, abordou a evidência de semaglutido, tanto em ensaios clínicos como em estudos de vida real, focando nas comorbilidades, indo para além do peso, com o objetivo final de “transportar essa evidência para os problemas que temos no dia a dia, a aplicabilidade e as real-world decisions”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estruturar esta translação da evidência para a prática clínica, Daniel Macedo destacou um trabalho publicado na Lancet, em setembro de 2025, resultado de um painel Delphi que reuniu especialistas e pessoas que vivem com obesidade. “O objetivo era definir quais os principais outcomes que ambos valorizavam”, explicou. O consenso resultou em vários grandes grupos de outcomes, que vão “desde alterações físicas, mas também alterações da saúde mental e todas as consequências para a saúde”, sem esquecer “uma questão fundamental, que é o tratamento a longo prazo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o endocrinologista sublinhou que, sendo a obesidade “uma doença crónica”, é necessário “pensar o tratamento destas comorbilidades no longo prazo e definir estratégias para o conseguirmos”. Mais do que foco exclusivamente na perda de peso, defendeu “o foco nas comorbilidades que precisamos tratar”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os dados apresentados, destacou os resultados do ensaio SELECT, em pessoas em prevenção secundária cardiovascular. “Houve uma redução muito grande no risco de eventos adversos CV, cerca de 20%”, afirmou, salientando ainda “uma redução do risco de mortalidade por qualquer causa de cerca de 19%, uma redução do risco de desenvolver doença renal de cerca de 22% e uma redução do risco de desenvolver diabetes de cerca de 73%”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos aspetos mais relevantes, segundo o especialista, é que “a redução do MACE é independente da perda de peso”. Mesmo os doentes com menos de 5% de perda ponderal apresentaram “uma franca redução do MACE desde muito cedo”. “A primeira vez que há uma diferença estatisticamente significativa entre os dois braços é no dia 20”, explicou, numa fase “em que a perda de peso ainda era bastante reduzida e nem sequer estávamos na titulação máxima do fármaco”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Impacto na MASH, composição corporal e função muscular</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No domínio da doença hepática, Daniel Macedo lembrou que “uma em cada três pessoas com obesidade apresenta MASH” e que a fibrose moderada a avançada está associada a “um risco quatro vezes mais elevado de eventos CV”. Contudo, o ensaio ESSENCE mostrou, pela primeira vez, “uma resolução de esteato-hepatite em cerca de 63% dos doentes” e “uma melhoria da fibrose em cerca de 37% das pessoas com F2 e F3”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nível da composição corporal, destacou que a perda de peso é “claramente dose-dependente”, com reduções superiores a 20% nas doses mais elevadas. Mais relevante ainda, “houve uma redução de cerca de 31% da massa visceral, mas apenas de 6,7% da massa magra”, significando que “84,4% do peso perdido correspondeu a massa adiposa”. Além disso, testes funcionais simples demonstraram que “não houve perda da função muscular; pelo contrário, houve uma melhoria”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A melhoria do well-being foi outro ponto central. No estudo STEP 1, “há melhoria de praticamente todos os parâmetros da qualidade de vida”, sobretudo físicos. Estudos exploratórios mostraram ainda benefícios em áreas menos discutidas, como a incontinência urinária, com “menos perdas urinárias nas pessoas que fazem semaglutido”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já ao nível comportamental, o especialista destacou que o semaglutido atua no sistema mesolímbico e que “há um controlo indiscutível do craving”, com melhorias igualmente no <em>emotional eating</em> e no <em>uncontrolled eating</em>. Dados de vida real, também com semaglutido, mostraram ainda que “as pessoas pensavam menos em comida e tinham menos sentimentos negativos associados”, reduzindo o chamado food noise, explicou o orador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na parte final da sua intervenção, Daniel Macedo trouxe o debate para a prática clínica quotidiana. “Aquilo que nos preocupa no dia a dia é como aplicar tudo isto à pessoa concreta que temos à nossa frente”, afirmou, sublinhando que o acompanhamento da obesidade exige decisões contínuas, ajustadas a cada contexto individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estruturar esse processo, organizou as decisões em três grandes grupos: “os objetivos de tratamento, a qualidade da perda de peso e a titulação da dose”, explicando que estes são essenciais para garantir benefícios sustentados ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre os objetivos de tratamento, defendeu que é preciso “ajustar, adaptar os objetivos da pessoa que entra na nossa consulta àquilo que definimos como os objetivos para essa pessoa”. Muitas vezes, frisou, “as pessoas têm objetivos que podem não ser realistas e nós temos de os tornar tangíveis e precisos e explicar porquê”. Este alinhamento deve ter em conta a obesidade como doença crónica e as comorbilidades associadas, envolvendo sempre o doente no processo de decisão. “É fundamental uma abordagem multidisciplinar”, disse, incluindo nutricionistas, profissionais de exercício e apoio em saúde mental, como psicólogos ou psiquiatras, e, sempre que necessário, outras especialidades como hepatologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que respeita à qualidade da perda de peso, Daniel Macedo sublinhou que “temos de focar cada vez mais na composição corporal e não no número do peso ou no índice de massa corporal”. Para isso, destacou a importância do músculo, “não só a quantidade, mas a função”, recomendando ferramentas simples como o teste <em>sit-to-stand</em>. A abordagem deve ser adaptada à fase da vida e ao risco de sarcopenia, reforçando a importância do <em>follow-up</em> nutricional, do aporte proteico e do treino de força e resistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, abordou a titulação da dose como “fundamental”, porque “nem todos os doentes respondem à terapêutica da mesma forma”. É necessário considerar a tolerabilidade e fornecer às pessoas ferramentas para ajustar a dose, “para minimizar o abandono terapêutico e maximizar a terapêutica no longo prazo”. Recordou ainda que, sendo a obesidade uma doença crónica, “muitas vezes, passados um ou dois anos, as pessoas abandonam a terapêutica”, tornando imprescindível individualizar, acompanhar e ajustar continuamente, “para garantir benefícios sustentados ao longo do tempo”.</p>
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		<title>Obesidade como doença crónica: tratamento a longo prazo e personalizado</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/entrevistas/obesidade-como-doenca-cronica-tratamento-a-longo-prazo-e-personalizado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 17:45:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num simpósio desenvolvido pela Novo Nordisk, Nuno Vicente sublinhou que o sucesso terapêutico depende de uma mudança de mentalidade, onde médico e doente encaram a patologia além da componente estética. Durante o Congresso Português de Endocrinologia 2026, o especialista da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria destacou que a obesidade possui mecanismos biológicos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Num simpósio desenvolvido pela Novo Nordisk, <strong>Nuno Vicente</strong> sublinhou que o sucesso terapêutico depende de uma mudança de mentalidade, onde médico e doente encaram a patologia além da componente estética. Durante o Congresso Português de Endocrinologia 2026, o especialista da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria destacou que a obesidade possui mecanismos biológicos que favorecem a persistência e a recidiva, tornando essencial uma abordagem clínica de continuidade.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1161382974?h=eca9406768&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="Obesidade como doença crónica: tratamento a longo prazo e personalizado"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">O endocrinologista alertou que encarar o tratamento apenas com horizontes de curto prazo é um erro comum, visto que a suspensão da terapêutica após alguns meses leva à perda dos benefícios metabólicos e clínicos alcançados. Para o clínico, o papel das equipas médicas é crucial na transmissão desta mensagem de cronicidade, garantindo que o foco se mantenha na Saúde e não apenas na perda de peso imediata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O especialista defendeu ainda um modelo de tratamento altamente personalizado, caracterizado por ajustes graduais de dosagem, que respeitem a tolerância e a eficácia em cada indivíduo. Nuno Vicente observou que os doentes estão hoje mais informados e recetivos a novas opções terapêuticas, facilitando o estabelecimento de objetivos comuns entre a equipa médica e quem vive com a doença. Esta colaboração estreita e a adaptação das doses às necessidades específicas de cada pessoa são apontadas como fatores determinantes para assegurar a persistência e o sucesso do tratamento a longo prazo.</p>
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		<title>Melhoria da Saúde como o verdadeiro sucesso no tratamento da obesidade</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/entrevistas/melhoria-da-saude-como-o-verdadeiro-sucesso-no-tratamento-da-obesidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 17:45:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Megha Poddar foi palestrante convidada de um simpósio promovido pela Novo Nordisk, no Congresso Português de Endocrinologia 2026, e defendeu uma mudança de paradigma, centrando o tratamento nos resultados de Saúde específicos e na personalização da terapêutica de acordo com as comorbilidades do doente. Assista à entrevista da diretora do Medical Weight Management Centre of [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Megha Poddar</strong> foi palestrante convidada de um simpósio promovido pela Novo Nordisk, no Congresso Português de Endocrinologia 2026, e defendeu uma mudança de paradigma, centrando o tratamento nos resultados de Saúde específicos e na personalização da terapêutica de acordo com as comorbilidades do doente. Assista à entrevista da diretora do <em>Medical Weight Management Centre of Canada</em>.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1161424132?h=c657d5d331&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="Melhoria da Saúde como o verdadeiro sucesso no tratamento da obesidade"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">Durante a sua intervenção, Megha Poddar sublinhou que, durante muito tempo, o foco da obesidade recaiu exclusivamente na perda de peso, ignorando que o decréscimo de quilos não garante, por si só, a melhoria da Saúde. A especialista propõe que o sucesso do tratamento seja medido pela melhoria de condições de Saúde específicas, avaliando de que forma o peso impacta a vida do indivíduo em três vertentes fundamentais: Saúde Mental, mobilidade e Saúde metabólica. Esta abordagem permite identificar as áreas problemáticas para cada doente e selecionar as intervenções que terão maior impacto na sua qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A personalização do tratamento deve, por isso, basear-se na evidência científica disponível para adaptar a medicação ao desfecho de Saúde desejado. Como exemplo, a especialista referiu que o semaglutido é a única medicação comprovada na melhoria da doença cardíaca em doentes com obesidade e doença cardiovascular, sendo a recomendação personalizada para este perfil. Por outro lado, para doentes que sofrem de apneia do sono, a evidência aponta para a eficácia de outras opções, como a tirzepatida (nas doses de 10 mg e 15 mg). Em suma, o objetivo é compreender as necessidades de cada pessoa para desenhar um plano terapêutico que melhore os seus objetivos de saúde individuais.</p>
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		<title>Personalização e evidência: o novo paradigma no tratamento da obesidade com um agonista do GLP-1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 17:44:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito de um simpósio, promovido pela Novo Nordisk, que tomou lugar no Congresso Português de Endocrinologia 2026, o especialista Daniel Macedo destacou a importância de adaptar as opções terapêuticas às comorbilidades e necessidades específicas de cada doente. Veja a entrevista ao endocrinologista do Hospital da Luz. Durante a sua intervenção, Daniel Macedo sublinhou que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito de um simpósio, promovido pela Novo Nordisk, que tomou lugar no Congresso Português de Endocrinologia 2026, o especialista <strong>Daniel Macedo</strong> destacou a importância de adaptar as opções terapêuticas às comorbilidades e necessidades específicas de cada doente. Veja a entrevista ao endocrinologista do Hospital da Luz.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1161383293?h=223a34cead&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="Personalização e evidência: o novo paradigma no tratamento da obesidade com um agonista do GLP-1"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">Durante a sua intervenção, Daniel Macedo sublinhou que a atual evidência clínica com o semaglutido, proveniente tanto de ensaios clínicos como de estudos de vida real, oferece uma base sólida para o tratamento de múltiplas comorbilidades em pessoas com excesso de peso e obesidade. O especialista destacou a evidência de semaglutido em pessoas com MASH (esteatohepatite associada à disfunção metabólica) e particularmente os resultados do ensaio SELECT, no qual semaglutido demonstrou benefícios na prevenção secundária cardiovascular, nomeadamente na redução do risco de eventos cardiovasculares major. Esta robustez de dados permite aos clínicos oferecer o semaglutido como opção terapêutica que não visam apenas a perda de peso, mas que se adapta diretamente às patologias preexistentes do doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A individualização do tratamento surge como o pilar central desta abordagem personalizada. Segundo Daniel Macedo, a flexibilidade terapêutica permite ajustar a estratégia, não só em função das doenças do indivíduo, mas também da sua faixa etária, incluindo a população idosa. Esta personalização estende-se à gestão da dosagem, permitindo escalar a dose de acordo com a tolerância aos efeitos secundários, os objetivos do tratamento e a capacidade de adesão de cada pessoa à medicação. Em suma, a escolha terapêutica deixa de ser generalista para se tornar uma decisão individualizada para quem está na consulta.</p>
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		<item>
		<title>Novas recomendações para a otimização da terapêutica hipolipemiante oral: as peças que completam o puzzle da terapêutica oral, para um controlo eficiente do C-LDL, em doentes fora do valor-alvo recomendado</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/entrevistas/novas-recomendacoes-para-a-otimizacao-da-terapeutica-hipolipemiante-oral-o-papel-de-uma-estrategia-complementar-para-o-controlo-eficaz-do-c-ldl-em-doentes-fora-do-alvo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 15:32:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[21.º Congresso Português de Diabetes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Congresso Português de Endocrinologia 2026, o endocrinologista Dr. Carlos Bello, do Hospital da Luz Lisboa, participou no simpósio da Daiichi Sankyo, que abordou, entre outros temas, algumas das mais recentes e relevantes recomendações para a redução do colesterol LDL incluídas na atualização “2025 Focused Update of the 2019 Guidelines for the Management of Dyslipidemias” [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mydiabetes.pt/entrevistas/novas-recomendacoes-para-a-otimizacao-da-terapeutica-hipolipemiante-oral-o-papel-de-uma-estrategia-complementar-para-o-controlo-eficaz-do-c-ldl-em-doentes-fora-do-alvo/">Novas recomendações para a otimização da terapêutica hipolipemiante oral: as peças que completam o puzzle da terapêutica oral, para um controlo eficiente do C-LDL, em doentes fora do valor-alvo recomendado</a> aparece primeiro em <a href="https://mydiabetes.pt">My Diabetes</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No Congresso Português de Endocrinologia 2026, o endocrinologista Dr. <strong>Carlos Bello</strong>, do Hospital da Luz Lisboa, participou no simpósio da Daiichi Sankyo, que abordou, entre outros temas, algumas das mais recentes e relevantes recomendações para a redução do colesterol LDL incluídas na atualização “2025 Focused Update of the 2019 Guidelines for the Management of Dyslipidemias” da ESC/EAS. O controlo precoce e mais eficaz do colesterol LDL esteve em destaque, assim como o contributo de diferentes terapêuticas farmacológicas com benefícios cardiovasculares demonstrados, cuja evidência de eficácia e segurança resultante do seu programa de desenvolvimento clínico foi também apresentada. Fique a saber mais através da entrevista realizada após a sessão.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1163587646?h=a71b90b3c7&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="CARLOS BELLO"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">“Quanto mais cedo se controlar o colesterol LDL, melhor. Antigamente, íamos aumentando a dose dos medicamentos em função dos resultados, e com isso perdia-se muito tempo até à obtenção dos valores alvo de c-LDL. As novas recomendações introduzem vários fatores: além de terem sido revistos alguns aspetos na estratificação de risco, introduzem o papel de determinado tipo de medicamentos, nomeadamente medicamentos que não sejam as estatinas, no tratamento do risco cardiovascular. Recomendam, por exemplo, a utilização do ácido bempedoico, um fármaco que reduz o colesterol LDL e reduz a probabilidade de enfarte, AVC e outros outcomes cardiovasculares. Diria que essa é a principal mudança que se verifica nestas diretrizes mais atuais”, resumiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, refere que muitos doentes não toleram o tratamento com estatinas devido aos efeitos associados e que poderão beneficiar de uma terapêutica com ácido Bempedoico. Este fármaco não é metabolizado para a sua forma ativa no músculo-esquelético, o que pode limitar a ocorrência de eventos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na opinião do especialista, o ácido bempedoico atua essencialmente como um complemento da terapêutica redutora dos lípidos. Quando utilizado em associação a estatinas e/ou ezetimiba, ajuda a que um maior número de doentes atinja o controlo do seu colesterol LDL.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referiu ainda que no estudo CLEAR Outcomes, o ácido bempedoico não aumentou o risco de novos casos de diabetes nos doentes sem diabetes, em comparação com o grupo placebo, e demonstrou uma redução relativa do risco de eventos cardiovasculares semelhantes em doentes com diabetes, pré-diabetes e normoglicemia, acrescentando que “em doentes com diabetes, que tipicamente têm um risco cardiovascular muito alto e nos quais é preciso obter níveis de colesterol muito mais baixos e, como tal, exigem muitas vezes uma intensidade terapêutica mais alta, o ácido bempedoico vai ser um complemento excelente para otimizar o número de pessoas que conseguem estar controladas e que vivem mais e com maior qualidade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A 77.ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) decorreu entre 29 de janeiro e 1 de fevereiro, em Coimbra.</p>
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		<title>Transição bem-sucedida é decisiva na doença hipofisária</title>
		<link>https://mydiabetes.pt/entrevistas/transicao-bem-sucedida-e-decisiva-na-doenca-hipofisaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 12:48:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Português de Endocrinologia 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A transição dos cuidados pediátricos para os cuidados de adulto continua a ser um dos momentos mais críticos no acompanhamento de crianças e adolescentes com doenças hipofisárias. O alerta foi deixado durante o Congresso Português de Endocrinologia 2026, pela endocrinologista da ULS Braga, Olinda Marques, numa intervenção centrada nos desafios clínicos, terapêuticos e psicossociais associados [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A transição dos cuidados pediátricos para os cuidados de adulto continua a ser um dos momentos mais críticos no acompanhamento de crianças e adolescentes com doenças hipofisárias. O alerta foi deixado durante o Congresso Português de Endocrinologia 2026, pela endocrinologista da ULS Braga, <strong>Olinda Marques</strong>, numa intervenção centrada nos desafios clínicos, terapêuticos e psicossociais associados a este processo. Assista à entrevista.</p>

<div style="padding:56.25% 0 0 0;position:relative;"><iframe src="https://player.vimeo.com/video/1161728036?h=489e1bdec6&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" style="position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;" title="OLINDA MARQUES"></iframe></div><script src="https://player.vimeo.com/api/player.js"></script>

<p class="wp-block-paragraph">Segundo a especialista, as doenças da hipófise com início em idade pediátrica são múltiplas, complexas e de etiologia diversa, com impactos que se prolongam ao longo da vida. A transição não se resume à mudança de equipa clínica: corresponde a um percurso gradual em que o jovem passa de cuidados centrados nos pais para um modelo que exige autonomia, responsabilidade e adesão contínua à terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este período coincide, muitas vezes, com fases determinantes do desenvolvimento pessoal, como a conclusão do crescimento, alterações psicossociais, a entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho. Segundo Olinda Marques, tudo isto aumenta o risco de perda de seguimento e de abandono do tratamento, defendendo um processo planeado, gradual e cuidadosamente acompanhado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro obstáculo frequente é a mudança de instituição, que implica novos médicos, enfermeiros e equipas, num contexto em que a própria doença já é, por si, exigente e potencialmente associada a morbilidade significativa. Acresce o facto de grande parte do conhecimento disponível resultar da extrapolação de protocolos do adulto, uma vez que muitas patologias hipofisárias não dispõem ainda de orientações específicas para a idade pediátrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Olinda Marques, o futuro passa por consultas multidisciplinares, com equipas experientes e articuladas, e pela sistematização das boas práticas já existentes. Afirma que há experiências positivas no terreno, mas são heterogéneas, considerando fundamental ouvi-las e transformá-las em normas orientadoras.</p>
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